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Rota das Gravuras

Gravuras Rupestres do Souto Escuro 1. Foto TR/VB

PAVT

A designada arte rupestre é um dos domínios de representação simbólica que mais desafia os limites da interpretação, não só científica como também popular. Uma das suas mais conhecidas manifestações são as composições formadas por figuras geométricas, antropomórficas e zoomórficas, gravadas sobre rocha e cujo significado original geralmente nos escapa.

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Gravuras Rupestres do Souto Escuro 1. Foto TR/VB

As gravuras do Vale Superior do Rio Terva inscrevem-se na chamada Arte Atlântica, uma manifestação simbólica que se identifica desde o Rio Vouga até às Ilhas Britânicas e que genericamente se reconhece ter sido produzida pelas comunidades que ocuparam o território entre os 4º e 1º milénio a.C..

Outeiro Gordo

As gravuras encontram-se numa extensa e aplanada laje granítica que aflora à superfície do terreno, na bordadura nascente do outeiro, com ampla visão sobre o vale do Rio Terva.

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Gravuras Rupestres do Outeiro Gordo. Foto TR/VB

Distinguem-se dois motivos, separados entre si cerca de 3 m e gravados por picotagem e abrasão. A sul um mais simples, bastante erodido e a norte um mais complexo, bem conservado.

O primeiro corresponde a uma figuração circular, composta pelo resto de dois sulcos concêntricos. O segundo é também uma figuração circular, que se organiza em torno de uma pequena elevação do afloramento, em cujo topo se sulcou um círculo, completamente preenchido por covinhas, marcando o centro da composição, a que se sucedem dois anéis concêntricos igualmente sulcados e finalmente uma sequência de quatro anéis, também concêntricos, formados por covinhas alinhadas.

O roteiro não se encontra sinalizado no terreno.

Souto Escuro 1

Localizado no remate poente da encosta do Leiranco, próximo da aldeia de Bobadela, as gravuras rupestres identificadas neste local inscrevem-se sobre uma laje granítica voltada a nascente, ao vale, com cerca de 14 m², parcialmente fraturada.

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Gravuras Rupestres do Souto Escuro 1. Foto TR/VB

Dispersos pela superfície identificam-se inúmeros sulcos e covinhas, obtidos por picotagem e abrasão, que desenham motivos dominantemente circulares concêntricos e pseudo-concêntricos, que se conjugam com covinhas, traços curvilíneos e mais raramente traços retilíneos.

Gravuras Rupestres do Souto Escuro 1. Foto TR/VB

Pela sua evidente harmonia estilística e conexão interna, os motivos gravados nesta rocha parecem configurar um conjunto compositivo de caráter monumental, em que releva a expressão tridimensional da representação, por via do evidente aproveitamento das caraterísticas topográficas do afloramento.

Souto Escuro 2

Tal como o sítio de Souto Escuro 1, do qual dista cerca de 200 m para N, este sítio localiza-se no sopé da vertente sudeste da Serra do Leiranco, nas proximidades da aldeia de Bobadela.

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Gravuras Rupestres do Souto Escuro 2. Foto TR/VB

A gravura, obtida por picotagem e abrasão, encontra-se num afloramento granítico que ladeia o caminho, afloramento que se apresenta fraturado por extração de pedra. É formada por um único motivo circular, desenhado pelos sulcos de quatro anéis concêntricos, com covinha central. No lado nascente, quatro covinhas ocupam o espaço entre o 2º e 3º anel, interrompendo parcialmente o sulco deste.

Alto da Seara

Localizadas na margem esquerda da ribeira de Ardãos, as gravuras rupestres encontram-se numa chã aplanada que se desenvolve até às lagoas das Batocas, inscrevendo-se sobre uma laje granítica com aproximadamente 25 m².

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Gravuras Rupestres do Alto da Seara. Foto TR/VB

As gravuras, feitas por picotagem e abrasão, incluem motivos compostos por sulcos que desenham motivos tendencialmente circulares, curvilíneos e retangulares. Dispersos sobre e no entorno dos sulcos encontram-se, em grande número, covinhas, dispostas de modo aparentemente aleatório, ou pelo menos, sem que nos seja possível reconhecer na sua posição uma ordem ou padrão. Na lateral nascente da laje é possível observar um conjunto epigrafado contemporâneo, onde se pode ler >1969/ DOMINGOS<.

Fonte: Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho 2016, Rotas das Gravuras, Câmara Municipal de Boticas, Boticas. 

 

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Rota das Aldeias

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Aldeia de Ardãos. Foto TR/VB

PAVT

Longe da urgência com que se vive nas cidades, no Vale do Terva a vida tem outro compasso, o tempo como que dilata e a sensação de constante atraso para chegar ao destino dilui-se na sapiente calma com que tudo se faz, a seu tempo, no seu espaço.

Aqui ainda é farto o momento para a lembrança. Nesta escala tão própria de tempo em que os dias parecem maiores, entre as horas árduas de trabalho e os momentos de descanso, as pessoas lembram, contam e recontam e, nesta teima de não esquecer, trazendo o passado ao presente, resiste-se criando novos espaços, novos tempos, novas identidades e novas vozes.

NO CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO PAVT É CEDIDA A INFORMAÇÃO NECESSÁRIA PARA A REALIZAÇÃO DO ROTEIRO

É nesta repetição/reconstrução de memórias que encontramos as aldeias de Ardãos, Nogueira, Bobadela, Sapelos e Sapiãos, imersas em valores singulares, autênticos, fazendo com que quem passa e experiência pelo menos um dia da vida nas aldeias, não mais as esqueça.

Ardãos

Situada no sopé da Serra do Pindo, a aldeia de Ardãos ordena um dos mais amplos alvéolos agricultados da bordadura noroeste da cabeceira do rio Terva, que os seus habitantes continuam a explorar como principal recurso da sua economia agro-pastoril. Simultaneamente, Ardãos localiza-se na rota de uma ancestral via de comunicação do planalto barrosão, correspondente em época romana ao traçado da Via XVII, que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga) por Aquae Flaviae (Chaves).

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Forno do Povo da aldeia de Ardãos. Foto TR/VB

O aglomerado urbano conserva o seu casario de arquitetura tradicional, conformando ruas estreitas e sinuosas que convergem para pequenos largos públicos, fixando um modelo de origem medieval.

A visitar Capela de São Roque, Capela de Santo António, Igreja Paroquial, Santuário da Senhora das Neves, Forno do Povo, Fontes de Mergulho, Cruzeiro, Casario Tradicional.

Bobadela

A aldeia de Bobadela localiza-se num pequeno outeiro no sopé da vertente nascente da serra do Leiranco, encaixada entre lameiros, campos e bosques. A sua localização na bordadura do vale está intimamente ligada à exploração agro-silvo-pastoril, comum a todas as aldeias do Vale do Rio Terva.

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Pormenor da Casa das Memórias. Foto TR/VB

Mantendo a planimetria de origem medieval, a aldeia conserva a distribuição das ruas orientada para pequenos largos públicos, onde se cruzam os percursos quotidianos do trabalho e do descanso e onde, quando a partilha de responsabilidades assim o exige, se decidem as coisas de interesse comum.

Centro de Interpretação do PAVT. TR/VB

Aqui em Bobadela, os saberes-fazer, refinados por práticas seculares e transmitidos de geração em geração, materializam-se em inúmeras peças e instrumentos de uso quotidiano que as populações conservam carinhosamente e expõem na Casa das Memórias (antigo Museu Rural). Aqui se instalou, também, o Centro de Interpretação do Parque Arqueológico do Vale do Terva, adaptando a antiga casa paroquial.

A visitar Igreja Paroquial, Capela de São Lourenço, Casa das Memórias, Casa da família Macedo, Cruzeiro, casario Tradicional, Forno do Povo, Relógio de Sol, Janela Manuelina, Moinhos de Rodízio.

Nogueira

A aldeia de Nogueira localiza-se no sopé da vertente nascente da Serra do Leiranco, a cerca de 1km da aldeia de Bobadela, à qual está vinculada desde a fundação do concelho de Boticas em 1836.

Aldeia de Nogueira. Foto TR/VB

Sobranceiro à veiga agrícola que se estende em direção ao vale, o seu casario de arquitetura tradicional adensa-se em torno de uma intrincada rede de ruas e travessas, que inesperadamente terminam nos campos envolventes.

Com hábitos comunitários muito próprios, leiloam-se em Nogueira as Lamas do Boi do Povo, anualmente ou de cinco em cinco anos.

A visitar Capela de São Mamede, Capela de São Caetano, Calvário, Forno do Povo.

Sapelos

A aldeia de Sapelos localiza-se no sopé da vertente oeste da Serra do Facho, na bordadura oriental do Vale do Rio Terva, dominando a ampla e fértil veiga agrícola da margem esquerda do Rio Terva. Aí convergiam duas importantes e antigas vias de comunicação, procedentes de Arcos e de Beça, que em Sapelos derivam para Chaves, pelo vale do Tâmega.

Casa do Portal. Foto TR/VB

Composta ainda pelo tradicional casario de granito, que se distribui longitudinalmente acompanhando a antiga estrada, alguns dos edifícios de Sapelos apresentam uma arquitetura mais cuidada, manifesta em alguns portais de aparato com decoração de recorte neoclássico.

A visitar Capela de Santo Amaro, Casa do Portal, Cruzeiro, Forno do povo, Santuário do Senhor dos Milagres.

Sapiãos

A aldeia de Sapiãos implanta-se no sopé da vertente sudeste da Serra do Leiranco, fixando a antiga ligação de Chaves a Braga pelo interior minhoto, por Beça e Cabeceiras de Basto, numa localização estratégica que serve igualmente a atual ligação a Montalegre. Mantém a sua envolvência rural de campos e bosques, vinculados desde longa data à economia agro-silvo-pastoril que caracteriza toda esta região.

Aldeia de Sapiãos. Foto TR/VB

O casario tradicional de granito dispõe-se pela encosta organizando ruas estreitas e sinuosas, conservando a morfologia de origem medieval, aqui marcada pelo atravessamento da antiga ligação viária.

De época medieval conservam-se alguns monumentos, como a capela de tradição românica tardia do cemitério da aldeia ou as sepulturas antropomórficas do lugar de Pássaros.

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Sepulturas medievais de Pássaros. Foto TR/VB

A visitar Igreja Paroquial de São Pedro, Igreja Velha (Capela do Cemitério), Capela de Nossa Senhora dos Anjos, Calvário, Cruzeiros, sepulturas medievais de Pássaros, Cruz das Almas, Pontilhão, Fonte Coberta.

Fonte: Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho 2014, Rotas do Parque Arqueológico do Vale do Terva, Câmara Municipal de Boticas, Boticas. 

 

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Rota Natura

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Foto TR/VB

PAVT

A área do PAVT apresenta uma grande diversidade de biótopos agrícolas, floretais e zonas ripícolas, que potencia a ocorrência de um elenco faunístico diversificado. O conjunto de espécies faunísticas identificado reveste interesse regional e nacional, qualificando este território como uma área importante em termos de prioridades de conservação.

Por sua vez, a grande riqueza florística, incluindo as espécies raras e protegidas, é o resultado do enquadramento biogeográfico e do elevado grau de naturalidade do território do PAVT, que se situa na fronteira das duas grandes regiões Eurossiberiana e Mediterrânica.

Os 480 taxa de plantas vasculares registados são reveladores de uma elevada e preservada diversidade florística, o que confere a esta região uma especial importância.

NO CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO PAVT É CEDIDA A INFORMAÇÃO NECESSÁRIA PARA A REALIZAÇÃO DO ROTEIRO

Lagoa do Brejo

A Lagoa do Brejo, resultante de uma antiga exploração mineira a céu aberto, constitui atualmente um extraordinário nicho ecológico, onde se conjugam, de um modo muito particular, espécies florísticas e faunísticas de grande valor para o conhecimento da biodiversidade do Vale do Rio Terva.

Lagoa do Brejo. Foto TR/VB

A Lagoa do Brejo apresenta uma zona húmida em que se destacam os amiais e salgueirais paludosos, considerados habitats de conservação prioritários e raros em Portugal. Trata-se de bosques dominados por amieiros (Alnus glutinosa) e salgueiros (Salix atrocinerea), existindo também uma grande quantidade de vidoeiros (Betula alba). Em mosaico com estes bosques encontram-se pequenas zonas dominadas por esfagno e, em abundância, juncais acidofilos de J. acutiflorusJ. conglomeratus e/ou Juncus effusus.

Pato-real (Anas platyrhynchos). Foto Bianca Mentil por Pixabay

Ao nível da fauna, a Lagoa do Brejo é uma das zonas onde se identificou um maior número de espécies, o que revela a sua elevada riqueza específica, entre as quais o maçarico-bique-bique (Tringa ochropus), o pato-real (Anas platyrhynchos), a galinha-d’água (Gallinula chloropus), o esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) e a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra).

 

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Galerias Ripícolas das Freitas e Lameiros de Bobadela

As galerias ripícolas, normalmente associadas a lameiros, são dominadas pelos amieiros (Alnus glutinosa) nas zonas de baixa e média altitude e pelos vidoeiros (Betula alba) nas zonas de maior altitude. Bem conservadas no vale, as galerias apresentam-se contínuas, com árvores de grande dimensão e por vezes com mais de uma fiada de cada lado das linhas de água.

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Ribeiro do Brejo. Foto TR/VB

No final da Primavera os lameiros apresentam uma rica paleta de cores, de grande beleza, fruto da sua grande diversidade florística, em que se destacam várias espécies de orquídeas selvagens, que geralmente despertam grande interesse (Dactylorhiza maculata, Orchis coriophora, Serapias lingua, Serapias cordigera).

Raposa (Vulpes vulpes). Foto FoxTerrier por Pixabay

É nestas zonas e nos bosques associados que se regista a maior concentração de espécies faunísticas de diferentes grupos, com destaque para a avifauna, como o guarda-rios (Alcedo atthis) ou o melro-d’água (Cinclus cinclus), para a mamofauna, como a lontra (Lutra lutra), a raposa (Vulpes vulpes) ou o corço (Capreolus capreolus) e para a herpetofauna, como a rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi) e o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis).

Serra do Leiranco

Na cumeada do Leiranco, para além do deslumbramento da paisagem com horizontes a perder de vista, poderá observar espécies florísticas raras e protegidas, alguns endemismos ibéricos, com interesse para a conservação em Portugal, como a gramínea Festuca elegans e a caldoneira (Echinospartum ibericum), a Eryngium duriaei subsp. juresianum, Festuca summilusitana e cravinhos-bravos (Dianthus langeanus).

Serra do Leiranco. Foto TR/VB

Relativamente à fauna, o cume do Leiranco constitui um biótopo de montanha, tendo-se registado várias espécies residentes, como o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) e a cia (Emberiza cia), e estivais, como o chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe) e o melro-das-rochas (Monticola saxatilis), este referenciado como espécie “Em Perigo” no LVVP.

Fonte: Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho 2014, Rotas do Parque Arqueológico do Vale do Terva, Câmara Municipal de Boticas, Boticas. 

 

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Rota das Vias Antigas

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Foto TR/VB

PAVT

A consolidação do domínio romano do noroeste peninsular determinou um novo ordenamento territorial, que teve por base a criação de um conjunto de grandes cidades, vertebrado por uma rede de estradas que as ligavam entre si e outros importantes povoados da Galecia.

Via Romana XVII. Foto TR/VB

O atual território do PAVT integrava então o Conventus Bracarensis, sendo atravessado no sentido Oeste-Este pela importante via militar romana que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga), por Aquae Flaviae (Chaves), a chamada Via XVII, que cruzava a cabeceira do vale do rio Terva entre Ardãos e Seara Velha. Registada no século III no Itinerarium Antonini, esta via terá sido estruturada ao tempo do Imperador Augusto (século I), como testemunham alguns dos marcos miliários que a sinalizavam.

Na Idade Média e acompanhando a consolidação do Reino de Portugal, estruturou-se um novo povoamento servido igualmente por uma nova rede de comunicações. A área do PAVT, integrada então na chamada Terra de Barroso, conheceu uma valorização das vias que, cruzando o vale no sentido Norte-Sul reforçaram a ligação meridional de Chaves a Braga, por Carvalhelhos e Salto.

NO CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO PAVT É CEDIDA A INFORMAÇÃO NECESSÁRIA PARA A REALIZAÇÃO DO ROTEIRO

Via Romana XVII

Com base na análise de dados arqueológicos, documentais, orais e historiográficos, estabeleceu-se que o traçado de via antiga subsistente entre Pindo, Ardãos, Senhor do Bonfim e Seara Velha, corresponde aos vestígios da via romana que ligava Braga a Astorga por Chaves – a via XVII do Itinerarium Antonini.

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Via romana XVII. Foto TR/VB

Esta ligação viária servia diversos povoados romanos e a importante zona mineira do vale do Terva, apresentando um traçado topograficamente equilibrado, como testemunham alguns troços de via conservados.

Ao traçado da via nesta zona estão indiretamente associados, pelo menos, seis miliários, que documentam a continuada manutenção da via, sendo o mais antigo do imperador Augusto (27 a.C.–14 d.C.) e o mais recente do imperador Adriano (136–137).

Via romana XVII. Foto TR/VB

No Centro de Interpretação do PAVT, em Bobadela, guardam-se fragmentos do miliário de Augusto, que na Idade Média foi reaproveitado como sarcófago. Conserva a seguinte inscrição: IMP (eratori) CAE|s (ari)/ AUGUS|O| A| BRAC|ARA M.P.|LXV. Foi recolhido na encosta de Lapabar, Sapelos, devendo originalmente estar localizado na zona do Pindo, já na passagem para a zona planáltica de Cervos, Montalegre.

 

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Via Medieval do Castelo da Contenda

Com a nova estruturação de povoamento na Idade Média, organiza-se uma nova rede viária regional, passando a ligação de Chaves ao Minho a fazer-se preferencialmente pelos eixos meridionais de Alturas do Barroso-Ruivães e de Salto–Rossas, em detrimento da antiga ligação pela zona de Montalegre, provavelmente por ainda não estar bem estabelecida a apropriação deste espaço por parte da coroa portuguesa, como parece denunciar a tardia construção do castelo de Montalegre, já no século XIV.

Via Medieval do Castelo da Contenda. Foto TR/VB

Na bacia inicial do rio Terva, para além da desaparecida ponte de cantaria que fazia a passagem do rio entre Sapelos e Sapiãos, na via que seguia para sul pela ponte de Carvalhelhos, apenas se conserva uma importante via local de época medieval, ainda com longos troços de pavimento lajeado.

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Castelo da Contenda. Foto TR/VB

Trata-se da via Arcos-Bobadela, já referenciada nas Inquirições de Afonso III, de 1258. Ligando as povoações de Cervos e Arcos (em Montalegre), a Bobadela e Sapiãos (em Boticas), esta via servia igualmente, a meio do seu percurso, o castelo medieval das Fragas da Contenda, o qual testemunha os primeiros esforços de organização do território ao tempo do Condado Portucalense.

Fonte: Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho 2014, Rotas do Parque Arqueológico do Vale do Terva, Câmara Municipal de Boticas, Boticas.

 

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Rota dos Castros

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Foto TR/VB

PAVT

Os ‘castros’, assim se designam habitualmente os povoados fortificados que coroam muitos dos montes do noroeste da Península Ibérica, são uma das mais monumentais expressões da intensa ocupação do território durante a chamada Idade do Ferro, que terá conhecido o seu apogeu entre o século II a.C. e o século I d.C..

Castro do Muro de Cunhas. Foto TR/VB

Na área do PAVT conhecem-se nove povoados fortificados ‘castrejos’, implantados nos cabeços e promontórios da bordadura do vale do rio Terva. De dimensões variáveis, todos eles apresentam sólidos amuralhamentos, os mais pequenos apenas com uma linha e os maiores com sistemas mais complexos de duas ou três linhas de muralhas, como o Castro de Sapelos.

Castro de Sapelos. Foto TR/VB

A extraordinária densidade de ocupação ‘castreja’ do vale do rio Terva parece relacionar-se com a exploração intencional dos recursos minerais e metalíferos existentes (jazidas de ouro e de estanho).

NO CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO PAVT É CEDIDA A INFORMAÇÃO NECESSÁRIA PARA A REALIZAÇÃO DO ROTEIRO

Castro do Cabeço

Sobre um cabeço a meio da vertente sul da Serra do Leiranco, dominando a ampla veiga que se estende até ao rio Terva desde Bobadela até Boticas, ergue-se um amplo povoado defendido por três robustas linhas de muralhas circundantes, antecedidas no lado oriental por um fosso largo e fundo, com talude exterior.

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Castro do Cabeço. Foto TR/VB

Nas plataformas interiores observam-se ruínas de casas de planta circular, algumas com pavimentos lajeados e revelando nos troços de paredes visíveis o característico aparelho poligonal.

Foi já objeto de escavações arqueológicas, apresentando evidências de ocupação até época romana, que se estende ao sopé da elevação. Na zona SO foi encontrado um penedo granítico com algumas gravuras, compostas por várias covinhas e alguns sulcos.

Castro de Nogueira

O Castro de Nogueira, localizado num esporão da vertente SE da serra do Leiranco é um dos mais expressivos povoados castrejos do Vale do Rio Terva, ocupando uma área de aproximadamente 6 Ha. Situado a mais de 900 m de altitude, a sua implantação proporciona boas condições naturais de proteção, controlando visualmente toda a bacia inicial do Vale do Rio Terva.

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Castro de Nogueira. Foto TR/VB

O sistema defensivo é constituído por três linhas de muralha: a primeira linha de muralha delimita a área da acrópole; a segunda, a mais evidente devido ao grande derrube que lhe está associado, estrutura a plataforma intermédia do povoado; a terceira linha conforma a plataforma mais baixa do povoado, seguindo até ao pequeno promontório que, a Sudeste, quebra abruptamente a vertente. A noroeste, na zona onde é mais vulnerável, o povoado está protegido por um campo de pedras fincadas, atualmente tombadas na sua grande maioria.

Nas plataformas definidas pelas muralhas percebe-se a existência de edificações e à superfície são abundantes os fragmentos de cerâmicas de distintas produções, testemunhando uma ocupação que poderá recuar-se aos séculos IV-III a.C..

 

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Castro da Murada da Gorda

Pequeno povoado localizado num esporão oriental da Serra do Pindo, sobranceiro à ribeira das Cerdeirinhas, de onde se desfruta de uma espetacular vista panorâmica sobre o vale do Rio Terva.

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Castro da Murada da Gorda. Foto TR/VB

O sistema defensivo é dominado por uma poderosa muralha, que incorpora a abundante penedia que coroa o cabeço. Na zona NO do povoado percebe-se um fosso que se encontra bastante entulhado. Também no lado ocidental, na zona mais a sul, identifica-se uma pequena muralha que parece configurar uma espécie de talude/ trincheira, protegendo esta zona mais acessível. Não foram identificados vestígios de construções no interior do recinto.

Castro do Muro de Cunhas

Situado num promontório de morfologia cónica, no limite dos concelhos de Boticas e Chaves, o povoado é delimitado por duas linhas de muralhas circundantes, que apresentam um acentuado derrube.

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Castro do Muro de Cunhas. Foto TR/VB

O sistema de defesa é complementado por um campo de pedras fincadas, localizado na zona norte do povoado. Na plataforma superior identificam-se vestígios de habitações.

Na vertente oeste, sobrepondo parcialmente uma das linhas de muralha, conserva-se um pequeno eremitério, parcialmente encaixado no afloramento rochoso. No seu interior registam-se algumas impressivas inscrições e símbolos gravados em baixo-relevo, que revelam um evidente sincretismo religioso de tradição cristã.

Eremitério do Castro do Muro de Cunhas. Foto TR/VB

O eremita José, que construiu, decorou e ocupou o eremitério do Castro do Muro de Cunhas em finais do séc. XX, abandonou o local nos inícios do século XXI, reinstalando-se há poucos anos no santuário de Nossa Senhora das Neves.

Castro de Sapelos

O Castro de Sapelos localiza-se num promontório em esporão alongado, sobre a margem esquerda do rio Terva.

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Castro de Sapelos. Foto TR/VB

Com duas linhas de muralha, constituídas por elementos de granito e quartzito, o povoado apresenta uma defesa reforçada por dois grandes fossos circundantes, que são cruzados por longas valas de provável extração mineira, conformando um complexo sistema de fossos e valas de interpretação igualmente complexa.

Castro de Sapelos. Foto TR/VB

Na plataforma superior percebem-se vestígios de habitações de planta circular.

Fonte: Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho 2014, Rotas do Parque Arqueológico do Vale do Terva, Câmara Municipal de Boticas, Boticas.

 

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Rota das Minas

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Alto na Borragem. Foto TR/VB

PAVT

Na época romana (Sécs. I a.C./IV d.C.) identifica-se uma nova ocupação do vale superior do rio Terva, orientada para a exploração intensiva dos seus recursos minerais, em especial dos jazigos auríferos.

Povoado romano das Batocas. Foto TR/VB

No vasto complexo de mineração antiga do vale superior do rio Terva, destacam-se os povoados mineiros romanos das Batocas e do Carregal e as zonas de extração das Batocas, do Limarinho, do Poço das Freitas e do Brejo. Aí se identificam grandes ‘cortas’ de desmonte a céu aberto, inúmeras bocas de galerias e de poços e diques e canais, apresentando-se a paisagem profusamente recortada por trincheiras de amplitude variável, entre as quais se observam pirâmides e agulhas graníticas residuais e lagoas e onde se desenvolveu uma cobertura vegetal climácica, dominada por bosques de carvalhos.

No Centro de Interpretação DO PAVT É CEDIDA A INFORMAÇÃO NECESSÁRIA PARA A REALIZAÇÃO DO ROTEIRO

Minas do Poço das Freitas

Situado entre os ribeiros do Calvão e do Vidoeiro, o chamado Poço das Freitas é um dos mais significativos testemunhos da atividade mineira antiga no Vale do Terva. A zona de extração abarca uma área que se prolonga no sentido N/S por cerca de 1000 m e cerca de 700 m no sentido E/O, sendo claramente percetíveis as zonas de escavação a céu aberto, com inúmeras cortas e trincheiras, recortadas por galerias subterrâneas e poços verticais.

Bocas de galerias. Foto TR/VB

No interior de algumas galerias são ainda visíveis os negativos dos escoramentos, sob a forma de rasgos e agulheiros, bem como alguns nichos para colocação das luminárias romanas, as lucernas.

A lagoa que dá nome ao local, o Poço das Freitas, configura-se como um embalse, podendo ter correspondido a uma saepti (barragem romana), fundamental no processo de exploração mineiro.

Lagoa do Poço das Freitas. Foto TR/VB

Após a intensa exploração de época romana, a zona terá conhecido uma exploração recorrente mas de pouca extensão e episódica, documentando-se a última nos inícios do século XX.

Minas do Limarinho

Minas do Limarinho. Foto TR/VB

As cortas e lagoa do Limarinho, resultantes da extração mineira, constituem a mais notável expressão paisagística da mineração antiga do Vale do Terva. No Limarinho torna-se evidente a dimensão avassaladora da mineração a céu aberto e dos desmontes realizados, como revelam as cortas, trincheiras e pirâmides residuais remanescentes.

Lagoa do Limarinho. Foto TR/VB

As escavações a céu aberto direcionaram-se preferencialmente no sentido N/S, estendendo-se por uma área superior a 2 km2. É também aqui que se conserva o maior poço vertical dos identificados até ao momento, conhecido localmente por minóculo, com uma profundidade estimada de aproximadamente 15 metros, onde ainda são identificáveis os agulheiros do escoramento. Este poço tem defronte o término de uma galeria em salão, onde são visíveis também os negativos do escoramento e dos nichos das luminárias.

 

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Minas das Batocas

A zona de extração mineira das Batocas desenvolve-se entre as ribeiras de Ardãos e de Sangrinheira, estendendo-se por cerca de 550m no sentido N/S e cerca de 260m no sentido E/O.

Lagoa das Batocas. Foto TR/VB

Atualmente recoberta por densos bosques de carvalhos e pontuada por pequenas lagoas, a zona de mineração é definida por extensas cortas e trincheiras, identificando-se nos taludes laterais algumas entradas de galerias.

Povoado romano das Batocas. Foto TR/VB

Sobranceiro à exploração encontra-se o povoado mineiro romano das Batocas, atualmente a ser objeto de estudos arqueológicos.

Minas do Brejo

Numa área aproximada de 12 hectares, que vai desde as proximidades da aldeia de Bobadela até perto do Castro do Brejo, identificam-se inúmeras trincheiras e cortas de desmonte a céu aberto, com orientações, comprimentos e larguras diversas, observando-se restos de galerias nos taludes laterais.

Lagoa do Brejo. Foto TR/VB

Nas proximidades da antiga Casa Florestal encontra-se a designada Lagoa do Brejo, correspondente a uma antiga e ampla ‘corta’ de extração mineira.

Já fora da zona de exploração, mas na sua área direta de influência, no extremo Oeste, localiza-se o povoado fortificado do Brejo, que poderá corresponder a um ‘povoado mineiro castrejo’.

Com características únicas de autenticidade, originalidade e monumentalidade, sem paralelo na região Norte de Portugal, e porque constitui um valor patrimonial de superior interesse científico, histórico e cultural, este conjunto foi classificado como Sítio de Interesse Público (Portaria no 386/2013, Diário da República, 2.a série – N.o 115 – 18 de junho de 2013).

Fonte: Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho 2014, Rotas do Parque Arqueológico do Vale do Terva, Câmara Municipal de Boticas, Boticas.

 

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Parque Arqueológico do Vale do Terva

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Minas e lagoa do Limarinho. Foto TR/VB

Minas / Castros / Vias / Natura / Aldeias / Gravuras

O Parque Arqueológico do Vale do Terva/PAVT é um projeto conjunto do Município de Boticas e da Universidade do Minho, iniciado em 2006, desenhado como uma unidade de gestão da paisagem cultural. O PAVT é um parque arqueológico com carácter geográfico contínuo, que integra um conjunto de valores culturais e naturais, que se constituem como recursos relevantes e representativos das diversas paisagens que se conformaram no território, incorporando infraestruturas de visitação, como o Centro de Interpretação e o núcleo etnológico da Casa das Memórias, em Bobadela, circuitos interpretados e plataformas de observação dos recursos patrimoniais.

Com cerca de 60 km2 e 47 sítios arqueológicos identificados, o PAVT justifica por si, várias visitas a Boticas.

Sinalização do PAVT. Foto TR/VB

Porque percorrer a paisagem proporciona uma mais fácil compreensão dos seus diferentes significados, colocam-se ao dispor do visitante diversas propostas de roteiro pelo PAVT. Através destes percursos interpretados, pretende-se que o visitante vivencie as singularidades do Vale do Terva e que “veja as coisas como elas são”, que aqui também construa memórias, seguindo os caminhos das gentes, dos bichos e dos elementos naturais.

Plataforma de observação do Castro de Sapelos. Foto TR/VB

O Centro Interpretativo, localizado na aldeia de Bobadela, é a entrada para o PAVT – os conteúdos expositivos fazem a ponte para a fruição da paisagem e do património in loco, proposta através de roteiros de visitação. O objetivo maior é o da promoção deste território, apoiado na exploração das suas potencialidades ao nível do turismo histórico, etnográfico e natural.

CIPAVT. Foto TR/VB

Horário do Centro Interpretativo de Bobadela

Jan. – Mar. / Out. – Dez.
De terça-feira a sexta-feira
Das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30

Abr. – Set.
De terça-feira a sábado
Das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30

Entrada gratuita

Marcações de visitas (grupos) pelo telefone (+351) 276 410 200
Email: pavt@cm-boticas.pt

Localização

O Centro Interpretativo fica localizado na aldeia de Bobadela a 7,8 km da sede de concelho (11 minutos de carro) via N312 (direção Chaves).
Ver no Google Maps

 

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