Acredita-se que o ritual das chegas de bois, esteja ligado à crença de que o deus grego Dionisio podia assumir a forma física do touro, como representação simbólica da masculinidade e bravura. Terá sido a partir da reminiscência das festas pagãs dionisíacas, comuns a diversas culturas da Europa e África, que as chegas de bois evoluíram, chegando aos dias de hoje como uma atividade lúdica, presente anualmente nas festas de verão e excecionalmente em eventos de grande importância, como é o caso, da Feira Gastronómica do Porco em Boticas.

ACREDITA-SE QUE O RITUAL DAS CHEGAS DE BOIS, ESTEJA LIGADO À CRENÇA DE QUE O DEUS GREGO DIONISIO PODIA ASSUMIR A FORMA FÍSICA DO TOURO, COMO REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA DA MASCULINIDADE E BRAVURA.

Foto TR/VB

O princípio das chegas de bois é simples, trata-se de aproximar, ou “chegar” dois machos, que manterão as cabeças encostadas para determinar o mais forte. Recriando um processo natural em que os animais se observam, exibem a sua corpulência (os imponentes animais chegam a pesar mais de uma tonelada) e, eventualmente medem forças, através do encosto das cabeças, apenas o necessário para que um deles sinta estar em desvantagem, isto é, dê sinais de recuo ou de fuga.

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Foto TR/VB

Em alguns casos, o animal dominante fará uma breve perseguição ao mais fraco, o suficiente para confirmar o seu poder. As chegas de bois podem durar vários minutos como apenas alguns segundos (ou nem acontecer caso os bois recusem “dar a cabeça”), ocorrendo entre dois animais e apurando-se o vencedor, em eliminatórias sucessivas até ser encontrado o campeão. Raramente estas lutas implicam algum tipo de ferimento para algum dos animais.

Raramente estas lutas implicam algum tipo de ferimento para algum dos animais.

As chegas de bois realizavam-se, outrora, entre os bois do povo de diferentes aldeias. Em jogo, mais do que a fama do boi vencedor, estava a imagem de cada aldeia. Os bois do povo foram substituídos por bois particulares, mas a mística que envolve estes espectáculos de força e perícia é a mesma. Estas lutas continuam a mover multidões.

Fontes: Câmara Municipal de Boticas 2006, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas, Boticas; Wikipédia / Fotografia: XXII Feira Gastronómica do Porco de Boticas – TR/VB

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