Boticas, no coração da região do Barroso, guarda impressivas marcas da história do seu território, entre as quais se destacam os povoados fortificados da Idade do Ferro, os castros, de que se conhecem mais de duas dezenas, alguns de grande dimensão e monumentalidade.

Castro de Lesenho. Foto TR/VB

É de Boticas, também, o maior conjunto de estátuas de guerreiros galaico-romanos do noroeste peninsular proveniente de um único povoado – o Castro de Lesenho.

Estátuas de guerreiros galaico-romanos. Foto DR

É de Boticas o maior conjunto de estátuas de guerreiros galaico-romanos.

Os castros testemunham a densa ocupação do território nos séculos anteriores a Cristo, por populações com uma desenvolvida e complexa organização social e política, suportada pela exploração económica especializada dos recursos agrários, pastoris e minerais.

Foram justamente os recursos minerais que suscitaram o interesse do Império Romano por este território, como comprova o complexo mineiro do Vale do Terva explorado em época romana, atualmente classificado como Bem de Interesse Cultural, e que justificaram a integração da região, logo desde o século I antes de Cristo, no Conventus Bracaraugustanus, um dos distritos administrativos que os romanos criaram para governar o noroeste da Península Ibérica.

Lagoa das Minas do Limarinho. Foto TR/VB

No território atualmente português, de que a região do Barroso faz parte, o domínio romano estabeleceu-se através de negociações e acordos entre as partes, como testemunham as Tesserae Hospitalis recolhidas em alguns castros, que documentam os acordos celebrados entre os procuradores romanos e os dirigentes castrejos, na fórmula hospitium fecit, ou a referência aos povos castrejos, alguns seguramente da região de Boticas, que contribuíram para construção da ponte de Chaves ao tempo do imperador romano Trajano – o célebre Padrão dos Povos.

É este processo de concórdia entre castrejos e romanos que o evento pretende evocar.

É este processo de concórdia entre castrejos e romanos que o evento Hospitium Barrosorum/Pacto Barrosão pretende evocar, através da recriação de um espaço de convivência com elementos cénicos e atividades que procuram recriar o ambiente histórico do contato entre as duas civilizações, afirmando a proverbial hospitalidade barrosã e o significado original, de origem greco-romana, do termo hospitium: o direito de todos serem recebidos com hospitalidade.

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Entrada monumental do Castro de Sapelos. Foto TR/VB

Pelo legado histórico castrejo e romano patenteado nos importantes sítios arqueológicos castrejos de Nogueira, Sapelos, Carvalhelhos e Lesenho, no povoado romano da Batocas e nas Minas do LimarinhoFreitas; pelo significativo investimento que, de modo sistemático e em estreita parceria com a Universidade do Minho, o município tem vindo a fazer no estudo, conservação e valorização desses monumentos; pela sua centralidade na região do Barroso; pela oferta de infraestruturas de visitação e equipamentos culturais correlacionados (CIB, CEDIEC, Plataformas de observação e Rotas); e pela indesmentível hospitalidade das suas populações – Boticas reúne condições de exceção para acolher o evento Hospitium Barrosorum/Pacto Barrosão, evento que, promovendo a cultura, oferece igualmente grande potencial de dinamização da economia local e regional no domínio do turismo e atividades relacionadas.

Fonte: Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho 2017, Hospitium Barrosurum, Boticas.

 

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