PAVT

A área do PAVT apresenta uma grande diversidade de biótopos agrícolas, floretais e zonas ripícolas, que potencia a ocorrência de um elenco faunístico diversificado. O conjunto de espécies faunísticas identificado reveste interesse regional e nacional, qualificando este território como uma área importante em termos de prioridades de conservação.

Por sua vez, a grande riqueza florística, incluindo as espécies raras e protegidas, é o resultado do enquadramento biogeográfico e do elevado grau de naturalidade do território do PAVT, que se situa na fronteira das duas grandes regiões Eurossiberiana e Mediterrânica.

Os 480 taxa de plantas vasculares registados são reveladores de uma elevada e preservada diversidade florística, o que confere a esta região uma especial importância.

NO CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO PAVT É CEDIDA A INFORMAÇÃO NECESSÁRIA PARA A REALIZAÇÃO DO ROTEIRO

Lagoa do Brejo

A Lagoa do Brejo, resultante de uma antiga exploração mineira a céu aberto, constitui atualmente um extraordinário nicho ecológico, onde se conjugam, de um modo muito particular, espécies florísticas e faunísticas de grande valor para o conhecimento da biodiversidade do Vale do Rio Terva.

Lagoa do Brejo. Foto TR/VB

A Lagoa do Brejo apresenta uma zona húmida em que se destacam os amiais e salgueirais paludosos, considerados habitats de conservação prioritários e raros em Portugal. Trata-se de bosques dominados por amieiros (Alnus glutinosa) e salgueiros (Salix atrocinerea), existindo também uma grande quantidade de vidoeiros (Betula alba). Em mosaico com estes bosques encontram-se pequenas zonas dominadas por esfagno e, em abundância, juncais acidofilos de J. acutiflorusJ. conglomeratus e/ou Juncus effusus.

Pato-real (Anas platyrhynchos). Foto Bianca Mentil por Pixabay

Ao nível da fauna, a Lagoa do Brejo é uma das zonas onde se identificou um maior número de espécies, o que revela a sua elevada riqueza específica, entre as quais o maçarico-bique-bique (Tringa ochropus), o pato-real (Anas platyrhynchos), a galinha-d’água (Gallinula chloropus), o esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) e a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra).

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Galerias Ripícolas das Freitas e Lameiros de Bobadela

As galerias ripícolas, normalmente associadas a lameiros, são dominadas pelos amieiros (Alnus glutinosa) nas zonas de baixa e média altitude e pelos vidoeiros (Betula alba) nas zonas de maior altitude. Bem conservadas no vale, as galerias apresentam-se contínuas, com árvores de grande dimensão e por vezes com mais de uma fiada de cada lado das linhas de água.

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Ribeiro do Brejo. Foto TR/VB

No final da Primavera os lameiros apresentam uma rica paleta de cores, de grande beleza, fruto da sua grande diversidade florística, em que se destacam várias espécies de orquídeas selvagens, que geralmente despertam grande interesse (Dactylorhiza maculata, Orchis coriophora, Serapias lingua, Serapias cordigera).

Raposa (Vulpes vulpes). Foto FoxTerrier por Pixabay

É nestas zonas e nos bosques associados que se regista a maior concentração de espécies faunísticas de diferentes grupos, com destaque para a avifauna, como o guarda-rios (Alcedo atthis) ou o melro-d’água (Cinclus cinclus), para a mamofauna, como a lontra (Lutra lutra), a raposa (Vulpes vulpes) ou o corço (Capreolus capreolus) e para a herpetofauna, como a rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi) e o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis).

Serra do Leiranco

Na cumeada do Leiranco, para além do deslumbramento da paisagem com horizontes a perder de vista, poderá observar espécies florísticas raras e protegidas, alguns endemismos ibéricos, com interesse para a conservação em Portugal, como a gramínea Festuca elegans e a caldoneira (Echinospartum ibericum), a Eryngium duriaei subsp. juresianum, Festuca summilusitana e cravinhos-bravos (Dianthus langeanus).

Serra do Leiranco. Foto TR/VB

Relativamente à fauna, o cume do Leiranco constitui um biótopo de montanha, tendo-se registado várias espécies residentes, como o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) e a cia (Emberiza cia), e estivais, como o chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe) e o melro-das-rochas (Monticola saxatilis), este referenciado como espécie “Em Perigo” no LVVP.

Fonte: Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho 2014, Rotas do Parque Arqueológico do Vale do Terva, Câmara Municipal de Boticas, Boticas. 

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